
Percebi o quanto eu mudei em relação ao início das aulas na faculdade. Parece que meu olhar está diferente, observo o cenário ao meu redor com muito mais sensibilidade que anteriormente. Essas percepções são em relação a inclusão da criança na escola no passado e de como ela é feita hoje. Nas aulas, a professora tem apresentado uma série de assuntos referentes a políticas públicas da educação e falando do grande leque de possibilidades da inserção de alunos portadores de alguns tipos de deficiência na escola.
Quando lembro como foi a minha entrada na escola depois do meu acidente, vejo o quanto foi difícil para eu aceitar e me adaptar a nova realidade e também como foi difícil para os outros alunos e professores se adaptarem também a mim, pois a própria estrutura da escola não comportava uma cadeirante, e ainda mais em uma escola com dois andares igual a que eu estudava. Tiveram que mudar de andar, adaptar a entrada das salas, e mandar fazer uma nova carteira, um pouco mais alta do que as outras. Todas essas iniciativas partiram da comunidade em que morava, pois minha escola não tinha muitos recursos financeiros para custear obras, e mesmo essa ajuda demorou certo tempo para acontecer. Eu fiquei afastada da escola um bom período, pedindo ajuda para a igreja mobilizar a comunidade para me ajudar, pois não havia como minha família pagar por todos os custos dessas reformas das portas, e meus pais foram muito fortes, pois havia comentários em relação a mim que eles aprenderam a relevar para não entrar em conflitos, uma vez que necessitava da sociedade em que morava para alguma para minha colocação na escola.
Levando em consideração toda essa trajetória percorrida por mim, pela minha família e por toda a comunidade, vejo que ela foi dura, e demorou um tempo enorme para acontecer, e não foi completa, pois nem banheiro adaptado havia, esperava chegar a minha casa para usar o banheiro, porém foi só indo atrás de ajuda, de apoio e dos meus direitos que pelo menos algumas das minhas solicitações e necessidades foram alcançadas. Percebo o que hoje em dia ainda estão precárias as iniciativas de inclusão em alguns lugares, mas eu aprendi através da determinação e também da minha história de vida que podemos mudar essa realidade.
Portanto, essas aulas que tenho na faculdade estão me mostrando que hoje eu não dependo somente da mobilização da sociedade, mas tenho meus direitos como portadora de uma deficiente física garantidos por lei, entre elas a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e também O AEE( Atendimento Educacional Especializado) para deficiência física, entre outras, que foram elaboradas para um atendimento mais humano e que garanta o nosso direito de freqüentar escolas e universidades. Estou aprendendo muito e espero aprender muito mais para conseguir mudar a realidade, quero ser parte desse processo de inclusão das crianças na escola, tornando essa trajetória menos sofrida como foi a minha.

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